FRUIÇÃO E ESCRITA II ENJOYMENT AND WRITING

Web 2.0 e os Indicadores.



Estudo sobre a qualidade e a quantidade das extremidades superiores dos bípedes, em especial os dedos indicadores. Web 2.0



Este meu texto foi publicado em 2007.

Ao Carlos Nepomuceno


Como dissemos, a mão é a parte final de cada extremidade superior, também chamado braço, principalmente nos mamíferos bípedes; e que um dos dedos mais importantes é o indicador e, na evolução das espécies, os dedos tendem a se atrofiar e restarão somente o polegar e o indicador proeminente, que se fundirá com o dedo médio.

A importância da mão na cultura humana, representado o órgão que detem o poder, está presente em expressões, provérbios e símbolos, como “mão de ferro”, “manu militari”. Do mesmo modo, a mão representa justiça, equidade, injustiça, amor, ódio, como nas expressões “uma mão lava a outra”, “a mão direita não deve saber o que a esquerda faz”, “diferentes como os dedos das mãos”,”unha e carne”, “a mão que balança o berço”.

O corpo humano e a mão, em especial, são muito parecidos com uma instituição corporativa e estão sujeitos a normas, regulamentos e leis. Assim é que os movimentos da mão humana são realizados por dois conjuntos de músculos, os intrínsecos, que se encontram na própria mão, e os extrínsecos – os flexores e extensores longos, que se encontram no antebraço. As leis da física, a mecânica; os principios sobre movimentos de Newton e de Galileu, todos buscam explicar as leis que também regem os movimentos das mãos . Os dedos das mãos exercem funções incríveis e necessárias ao bom funcionamento de todo o sistema do corpo. Assim é que o dedo mínimo serve para auxiliar os demais e para demonstrar que ficou “de mal”ou “fez as pazes”; o dedo anular, carrega as alianças afetivas e comerciais; o dedo médio, contrabalança as atividades dos demais e deve orientar e coordenar, como um chefe; o dedo indicador, tem a função de indicação de tendências, de qualidades e de quantidades.

O indicador utiliza todos os principios filosóficos e empresariais aqui citados e é influenciado por todos os sentimentos humanos, como a virtude e os vícios,. Do mesmo modo, o indicador pode se deixar influenciar pelo bem comum ou pelo seu bem pessoal ou de seus relacionados mais próximos.

Uma instituição corporativa tem características como planejamento empresarial, processo de produção, relacionamento com os clientes e fornecedores, política de recursos humanos, normas de segurança, normas sanitárias, relações sociais. Como instituição, a mão e seus dedos estão sujeitos a normas similares a controles sociais, como a ética.

A ética tem sido estudada desde a Antigüidade grega através de Aristóteles (384 – 322 a.C.) com suas idéias sobre a ética e as virtudes éticas. Na Grécia porém, mesmo antes de Aristóteles, já se podia identificar sinais de preocupações com os problemas morais. Os filósofos pré-socráticos já realizavam reflexões de caráter ético, ao buscar entender as razões do comportamento humano. Sócrates (470-399 a.C.) considerou o problema ético individual como o problema filosófico central e, a ética, como sendo a disciplina em torno da qual deveriam girar todas as reflexões filosóficas. Para ele ninguém pratica voluntariamente o mal. Somente o ignorante não é virtuoso, e só age mal, quem desconhece o bem, pois todo homem quando fica sabendo o que é bem, reconhece-o racionalmente como tal e necessariamente passa a praticá-lo. Ao praticar o bem, o homem sente-se dono de si e conseqüentemente é feliz.

A virtude seria o conhecimento das causas e dos fins das ações fundadas em valores morais identificados pela inteligência e que impelem o homem a agir virtuosamente em direção ao bem. Platão (427-347 a.C.), ao examinar a idéia do bem à luz da sua teoria das idéias, subordinou sua ética à metafísica. Sua metafísica era a do dualismo entre o mundo sensível e o mundo das idéias permanentes, eternas, perfeitas e imutáveis, que constituíam a verdadeira realidade e tendo como ponto alto a idéia do Bem. Para Platão a alma – princípio que anima ou move o homem – se divide em três partes: razão, vontade (ou ânimo) e apetite (ou desejos). As virtudes são função desta alma, as quais são determinadas pela natureza da alma e pela divisão de suas partes. Na verdade ele estaria propondo uma ética das virtudes, que seriam função da alma.

Pela razão, faculdade superior e característica do homem, a alma se elevaria mediante a contemplação ao mundo das idéias. Seu fim último é purificar ou libertar-se da matéria para contemplar o que realmente é e, acima de tudo, a idéia do Bem. Para alcançar a purificação é necessário praticar as várias virtudes que cada parte da alma possui. Para Platão cada parte da alma possui um ideal ou uma virtude que devem ser desenvolvidos para seu funcionamento perfeito. A razão deve aspirar à sabedoria, a vontade deve aspirar à coragem e os desejos devem ser controlados para atingir a temperança. Cada uma das partes da alma, com suas respectivas virtudes, estava relacionada com uma parte do corpo. A razão se manifesta na cabeça, a vontade, no peito e o desejo no baixo-ventre. Somente quando as três partes do homem puderem agir como um todo é que temos o indivíduo harmônico. A harmonia entre essas virtudes constituía uma quarta virtude: a justiça.

Justiça é dar a cada um o que por direito lhe pertença. Platão concebia a justiça como harmonia; para Aristóteles, a justiça é algo que se deve uns aos outros. No Contrato Social, Rousseau considera justiça um sistema de legislação a serviço da liberdade e da igualdade. Kant compara a justiça ao livre arbítrio. John Rawls considera a justiça como a primeira das virtudes das instituições sociais.

Vale ressaltar que corpo humano, e a mão em especial, são muito parecidos com uma instituição corporativa e estão sujeitos a normas, regulamentos e leis. Assim, a mão e seus dedos, com suas funções, devem ter em conta os objetivos para os quais a natureza os criou. Do mesmo modo, as instituições corporativas, para exercitarem sua responsabilidade corporativa e socioambiental e alcançarem o bem comum, devem considerar os princípios da ética e da justiça.

Luiz Ramos©2007

Foto/Arte: ramosforest(c)

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outubro 23, 2008 Posted by | ética, Conhecimento, Indicadores, Web 2.0 | 1 Comentário