FRUIÇÃO E ESCRITA II ENJOYMENT AND WRITING

Festa Junina – Brazilian June Festival


Photos:ramosforest(c)

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junho 15, 2009 Posted by | "festa junina", tradição | 5 Comentários

Biodiversidade e Tradição: Plantas


Brasília, DF
City built in Cerrado region

A região do Cerrado e suas riquezas naturais.
Ervas medicinais e Biodiversidade.

Biodiversity and Tradition: Brazilian Herbs (Use Translator, please)

Os novos rumos para a conservação e preservação são marcados por uma mudança de postura diante do conhecimento e práticas das comunidades locais. A valorização dos conhecimentos de caiçaras, camponeses, caboclos e índios, passa por uma revisão da própria comunidade científica em relação à imagem da ciência como a única que detém o poder de indicar os caminhos da conservação. Além disso, os cientistas estão buscando construir um novo cenário teórico e metodológico que possa compreender as comunidades locais o mais próximo possível da lógica delas. Para essas comunidades a natureza é o lugar onde vivem, herdado dos antepassados e sujeito a transformações decorrentes de ações humanas e sobrenaturais, visão que não está baseada na dualidade cultura-natureza que influenciou várias linhas de pensamento conservacionistas.

O diálogo entre o conhecimento científico e o conhecimento dos povos tradicionais aparece como um elemento essencial para a produção de novos conhecimentos e transformação das práticas científicas e políticas de conservação. Porém, como ressaltam muitos especialistas, ao contrário do que pensam alguns conservacionistas, trata-se muito mais de administrar visões e interesses humanos, muitas vezes opostos, do que manejar processos naturais.

O diálogo entre conhecimentos pressupõe diálogo entre seres humanos, e o reconhecimento de que estas comunidades tradicionais apresentam peculiaridades em sua forma de ver o mundo e manifestá-lo na linguagem. A personificação da natureza, ou seja, a atribuição de características ditas humanas a elementos como o mar, vento, plantas faz parte da forma como muitas comunidades sentem e conhecem a natureza e interferem no seu relacionamento com o meio natural.

Nesse contexto, no Brasil, são importantes os conhecimentos tradicionais dos povos que vivem na região do Cerrado. Estão reunidos a seguir alguns exemplo de conhecimentos da medicina tradicional do Cerrado (*):

– Perobinha-do-cerrado – Acosmium dasycarpum (Vog.) Yakov – Fabaceae.
Uso: o chá das folhas é usado como diurético
– Catuaba ou cataúba – Anemopaegma arvense (Vell.) Stell. – Bignoniaceae
Uso: folhas e raízes usadas para aumentar a potência sexual.
– Carqueja, carqueja-folhuda, charruinha – Bacharus trimera (Less.)A.DC. – Asteraceae.
Uso: planta usada como febrífugo e diurético.
– Mamacadela, cerinha – Brosimum gaudichaudii Tréc. – Moraceae
Uso: as raízes fervidas e espremidas são empregadas no combate ao vitiligo.
– Pequizeiro, piqui, pequi-do-cerrado – Caryocar brasiliensis CAmb – Caryocaraceae
Uso: a polpa branca do fruto é usada no combate a gripe e resfriado.
– Espelina-falsa, vagina-do -campo – Clitoria guianensis Benth – Fabaceae
Uso: o chá das raízes e sementes da planta é usado nas cistites e uterites.
– Alcanforreira, pé-de-perdiz, erva-mular, erva-curraleira – Croton antisyphiliticus Mart. – Euphorbiaceae
Uso: o chá das folhas é usado no combate ás doenças venéreas, erupções na pele, úlceras.
– Mangaba – Hancornia speciosa Gómez – Apocynaceae
Uso: a infusão de cascas, em forma de banhos, é usada no combate de dermatoses.
– Capim-gordura, capim-meloso, capim-catingueiro, capim-melado, capim-gordo –
Melinis minutiflora Beauv. – Poaceae
Uso: o chá das raízes e sementes é empregado como diurético e antidiarréico
– Casca-amarela, quineira-branca, quina-do-campo – Strychnos pseudoquina St. Hil. – Loganiaceae
Uso: o chá da casca do caule é usado como antifebrífugo e antimalárico.

Diversidade biológica é a variabilidade de organismos vivos de todas as origens, compreendendo, dentre outros, os ecossistemas terrestres, marinhos e outros ecossistemas aquáticos e os complexos ecológicos de que fazem parte. Compreende, ainda, a diversidade dentro de espécies, entre espécies e de ecossistemas.

A Biodiversidade é uma das propriedades fundamentais da natureza, responsável pelo equilíbrio e estabilidade dos ecossistemas, e fonte de imenso potencial de uso econômico. A biodiversidade é a base das atividades agrícolas, pecuárias, pesqueiras e florestais e, também, a base para a estratégica indústria da biotecnologia.

Luiz Ramos©

Foto: ramosforest©

(*) Fonte: Plantas Medicinais – Josafá Carlos de Siqueira, SJ – Ed. Loyola – São Paulo – 1988.

outubro 2, 2008 Posted by | biodiversidade, biodiversity, ervas medicinais, herbs, tradição | Deixe um comentário

Biodiversidade e Tradição: Plantas


Brasília, DF
City built in Cerrado region

A região do Cerrado e suas riquezas naturais.
Ervas medicinais e Biodiversidade.

Biodiversity and Tradition: Brazilian Herbs (Use Translator, please)

Os novos rumos para a conservação e preservação são marcados por uma mudança de postura diante do conhecimento e práticas das comunidades locais. A valorização dos conhecimentos de caiçaras, camponeses, caboclos e índios, passa por uma revisão da própria comunidade científica em relação à imagem da ciência como a única que detém o poder de indicar os caminhos da conservação. Além disso, os cientistas estão buscando construir um novo cenário teórico e metodológico que possa compreender as comunidades locais o mais próximo possível da lógica delas. Para essas comunidades a natureza é o lugar onde vivem, herdado dos antepassados e sujeito a transformações decorrentes de ações humanas e sobrenaturais, visão que não está baseada na dualidade cultura-natureza que influenciou várias linhas de pensamento conservacionistas.

O diálogo entre o conhecimento científico e o conhecimento dos povos tradicionais aparece como um elemento essencial para a produção de novos conhecimentos e transformação das práticas científicas e políticas de conservação. Porém, como ressaltam muitos especialistas, ao contrário do que pensam alguns conservacionistas, trata-se muito mais de administrar visões e interesses humanos, muitas vezes opostos, do que manejar processos naturais.

O diálogo entre conhecimentos pressupõe diálogo entre seres humanos, e o reconhecimento de que estas comunidades tradicionais apresentam peculiaridades em sua forma de ver o mundo e manifestá-lo na linguagem. A personificação da natureza, ou seja, a atribuição de características ditas humanas a elementos como o mar, vento, plantas faz parte da forma como muitas comunidades sentem e conhecem a natureza e interferem no seu relacionamento com o meio natural.

Nesse contexto, no Brasil, são importantes os conhecimentos tradicionais dos povos que vivem na região do Cerrado. Estão reunidos a seguir alguns exemplo de conhecimentos da medicina tradicional do Cerrado (*):

– Perobinha-do-cerrado – Acosmium dasycarpum (Vog.) Yakov – Fabaceae.
Uso: o chá das folhas é usado como diurético
– Catuaba ou cataúba – Anemopaegma arvense (Vell.) Stell. – Bignoniaceae
Uso: folhas e raízes usadas para aumentar a potência sexual.
– Carqueja, carqueja-folhuda, charruinha – Bacharus trimera (Less.)A.DC. – Asteraceae.
Uso: planta usada como febrífugo e diurético.
– Mamacadela, cerinha – Brosimum gaudichaudii Tréc. – Moraceae
Uso: as raízes fervidas e espremidas são empregadas no combate ao vitiligo.
– Pequizeiro, piqui, pequi-do-cerrado – Caryocar brasiliensis CAmb – Caryocaraceae
Uso: a polpa branca do fruto é usada no combate a gripe e resfriado.
– Espelina-falsa, vagina-do -campo – Clitoria guianensis Benth – Fabaceae
Uso: o chá das raízes e sementes da planta é usado nas cistites e uterites.
– Alcanforreira, pé-de-perdiz, erva-mular, erva-curraleira – Croton antisyphiliticus Mart. – Euphorbiaceae
Uso: o chá das folhas é usado no combate ás doenças venéreas, erupções na pele, úlceras.
– Mangaba – Hancornia speciosa Gómez – Apocynaceae
Uso: a infusão de cascas, em forma de banhos, é usada no combate de dermatoses.
– Capim-gordura, capim-meloso, capim-catingueiro, capim-melado, capim-gordo –
Melinis minutiflora Beauv. – Poaceae
Uso: o chá das raízes e sementes é empregado como diurético e antidiarréico
– Casca-amarela, quineira-branca, quina-do-campo – Strychnos pseudoquina St. Hil. – Loganiaceae
Uso: o chá da casca do caule é usado como antifebrífugo e antimalárico.

Diversidade biológica é a variabilidade de organismos vivos de todas as origens, compreendendo, dentre outros, os ecossistemas terrestres, marinhos e outros ecossistemas aquáticos e os complexos ecológicos de que fazem parte. Compreende, ainda, a diversidade dentro de espécies, entre espécies e de ecossistemas.

A Biodiversidade é uma das propriedades fundamentais da natureza, responsável pelo equilíbrio e estabilidade dos ecossistemas, e fonte de imenso potencial de uso econômico. A biodiversidade é a base das atividades agrícolas, pecuárias, pesqueiras e florestais e, também, a base para a estratégica indústria da biotecnologia.

Luiz Ramos©

Foto: ramosforest©

(*) Fonte: Plantas Medicinais – Josafá Carlos de Siqueira, SJ – Ed. Loyola – São Paulo – 1988.

outubro 2, 2008 Posted by | biodiversidade, biodiversity, ervas medicinais, herbs, tradição | 11 Comentários

A Alegria e a Saudade

Blogagem Coletiva Coisas do Brasil

Estação e Museu Ferroviário em Paraíba do Sul – Rio de Janeiro

A Alegria e a Saudade

O povo da cidade com sua religiosidade transformava as festas religiosas em grandes eventos. Foi assim o que ocorreu durante uma semana, por ocasião da visita a Paraíba do Sul, no estado do Rio de Janeiro, da imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima, em sua peregrinação pelo Brasil, em 1958, creio, vindo diretamente de Portugal. Do mesmo modo, eram marcantes as procissões que encerravam a parte litúrgica do dia dos padroeiros da cidade e as procissões do Encontro e da Sexta Feira Santa, respectivamente na quarta e na sexta-feira da Semana Santa. Marcante e polêmica era a figura do Monsenhor Francisco Acquafreda, pároco da cidade, professor no Ginásio Sul Fluminense e pessoalmente muito influente.

Figuras conhecidas conviviam nessa época no meio católico, como o Neném Sacristão, o Tiãozinho e dona Lourdes, a dona Zulmira, o Macedo barbeiro e muitos outros. Conta-se – inclusive relatado em tom jocoso por próprios parentes – que, durante uma procissão, a grande preocupação era não deixar a multidão aglomerar-se sobre os trilhos do trem na travessia férrea, pois as composições carregadas de minério entravam na curva em velocidade e apitando perigosamente. Por isso, o Neném, que cuidava da organização dos cordões e dos cantos litúrgicos, tentava sempre organizar o inicio da procissão após a travessia férrea, já na praça do Jardim Novo. Porém, por lá passava a jardineira – pequeno veículo coletivo de passageiros que trazia para a cidade as pessoas que moravam em Werneck e Santo Antônio da Encruzilhada e que fazia também o percurso para Três Rios. O pároco tentava controlar tudo, inclusive a organização planejada pelo Neném Sacristão, que acabava ficando muito nervoso.

Neném, vamos começar os cânticos da procissão. – ordenou o pároco. Neném, olha a jardineira… – gritou nervoso o pároco lá da porta da Igreja.

Pessoal, vamos, todos juntos: “Ô, jardineira, por que estás tão triste? (*)… – instintivamente começou a puxar a cantoria o nervoso sacristão, enquanto piedosamente o povo tentava esconder o riso.

Luiz Ramos

A todos os meus entes queridos, parentes, amigos, conhecidos de minha cidade natal, do Brasil e de todas as partes por onde passei, e que já se foram.

Eu recordo e canto.

– Ô, jardineira, por que estás tão triste?

O que foi que aconteceu?

– Foi a camélia que caiu do galho, deu dois suspiros e depois morreu…

Vem, jardineira, vem meu amor

Não fiques triste, pois o mundo é todo teu

Porque és muito mais bonita que a camélia que morreu.

(Uma canção dos antigos carnavais. Cantor Orlando Silva Composição: Benedito Lacerda – Humberto Porto)

Este fragmento de conto foi publicado por ocasião do Dia de Finados de 2007.

Luiz Ramos

Foto: ramosforest ©

maio 16, 2008 Posted by | Brasil, Paraíba do Sul, tradição | 36 Comentários

São Jorge Devoção e tradição a cavalo.

St. George’s Day

A belief and an equestrian tradition

Tradition is a cultural environment element.

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São Jorge

Devoção e tradição a cavalo.

As tradições são parte integrante do ambiente cultural de um povo.

Hoje, dia 23 de abril, comemora-se o dia de São Jorge, santo da Igreja Católica.

Um dos costumes populares do interior do Brasil é a procissão a cavalo realizada em homenagem a este Santo.

A foto, feita no dia 23 de abril de 2007, em Inconfidência, no município de Paraíba do Sul, no estado do Rio de Janeiro, registra parte dos devotos cavaleiros que seguiam a imagem do Santo Guerreiro.

A estrada é parte da Estrada Real, antigo Caminho do Ouro entre a cidade do Rio de Janeiro e o interior das Minas Gerais.

Foto: ramosforest ©

abril 23, 2008 Posted by | devoção, Inconfidência, São Jorge, tradição, tradition | 6 Comentários

DIA DO ÍNDIO

DIA DO ÍNDIO


During Panamerican Games 2007 Closure at Rio de Janeiro the sad Guarani song excited me indeed. Natives has been forgotten when authorities make National Growth Plan.

Este meu texto foi publicado em 2007 por ocasião dos Jogos Panamericanos

O PAN GUARANI

A cerimônia de Encerramento dos Jogos Pan-americanos não foi tão emocionante quanto a Abertura no dia 13 de julho, porém, a referência às vítimas do avião da TAM em São Paulo e a cerimônia de entrega das medalhas da Maratona, tão bem conquistada por um brasileiro, foram marcantes. Vaias já não são novidades, são apoiadas ou criticadas.

A ausência de atletas, por falta de interesse ou por medo de deserção de integrantes, pouco foi notada, porque os voluntários estavam lá, voluntariamente, para festejarem sua participação nos Jogos.

O momento da transferência de bandeiras entre autoridades do Rio de Janeiro e de Guadalajara foi protocolar e o espetáculo musical mexicano, com gosto de quero um pouco mais. Muito suave foi o vento da música de Caymi para apagar a chama pan-americana até os próximos Jogos em Guadalajara. O restante da música apresentada parecia ser forçada, de última hora, assim como foi a tentativa de carnaval no centro do campo.

O que realmente me emocionou foram os índios e índias guaranis com seu canto melódico, triste, reivindicador. Vigoroso, no cantar, quase resignado, no agir. Quase, pois me lembrei de um grupo de índios guaranis no Centro de Florianópolis, em novembro de 2006, se apresentado no calçadão para mostrar que ainda existem, ao mesmo tempo em que aceitavam ajuda para se sustentar. Em São José, Florianópolis, na rodovia federal, passei por uma “reserva” indígena. Mais parecia uma de muitas favelas existentes nas cidades brasileiras, na Amazônia, em Mato Grosso, no Sul do Brasil, no Sudeste, no Nordeste.

Será que nós sabemos que temos índios no Brasil, que passam fome por terem desaprendido a ser índios, cujos filhos morrem por terem assimilado a “cultura“ do branco?

Será que algum notou a tristeza e a beleza da cultura indígena brasileira no Pan-americano 2007?

Será que alguém notou o grito de socorro implícito naquela canção guarani?

Foto: ramosforest (c)

abril 19, 2008 Posted by | Brasil, cultura, esporte, indígena, tradição | 6 Comentários